"Sinto que está aqui o segredo: não em perguntar como vou
conseguir tirar a seiva da videira para colocá-la em mim mesmo,
mas em me recordar que Jesus é a Videira — a raiz, a cepa, as
varas, os renovos, as folhas, a flor, o fruto, tudo, na verdade".
Depois, ao dirigir-se a um amigo que o tinha auxiliado:
"Não preciso de fazer de mim mesmo uma vara. Sou parte
dEle e apenas preciso crer nisso e agir de conformidade. Já há
muito, tinha visto esta verdade na Bíblia, mas agora creio nela
como realidade viva".
Foi como se alguma verdade que sempre existia se tornasse
verdadeira para ele pessoalmente, sob uma nova forma. Outra vez
escreve à irmã:
Considerar-se e a fé
ResponderExcluirOs primeiros quatro capítulos e meio de Romanos falam de fé,
fé e fé. Somos justificados pela fé nEle (Rm 3.28; 5.1). A
justificação, o perdão dos nossos pecados e a paz com Deus são
nossos pela fé; sem fé, ninguém pode possuí-los. Na segunda seção
de Romanos, no entanto, não encontramos a fé mencionada tantas
vezes, e à primeira vista poderia parecer que aqui há diferença de
ênfase. Não é realmente assim, porque a expressão "Considerar-se"
toma o lugar das palavras "fé" e "crer". Considerar-se e a fé são,
aqui, praticamente a mesma coisa.
O que é a fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e seu
fundamento sempre se acha no passado. O que se relaciona com o
futuro é mais esperança do que fé, embora a fé tenha, muitas
vezes, o seu objetivo ou alvo no futuro, como em Hebreus 11.
Talvez seja por essa razão que a palavra aqui escolhida é
considerar-se. É uma palavra que se relaciona unicamente com o
passado — com aquilo que vemos já realizado ao olhar para trás e
não com qualquer coisa ainda por acontecer. É este o gênero de fé
descrito em Mc 11.24: "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que
recebestes, e será assim convosco". A declaração é que se crer que
já recebeu o que pediu (isto é, evidentemente, em Cristo), então
"será assim". Crer que seja provável alcançar alguma coisa, e que
seja possível obtê-la, mesmo que ainda virá a obtê-la, não é fé no
sentido aqui expresso. Fé é crer que já alcançou o que pede.
Somente o que se relaciona com o passado é fé neste sentido.
Aqueles que dizem que "Deus pode" ou "Pode ser que Deus o faça",
não crêem de forma alguma. A fé sempre diz: "Deus já o fez".
Quando é, portanto, que tenho fé no que diz respeito à minha
crucificação? Não quando digo que Deus pode ou quer ou deve
crucificar-me, mas quando, com alegria, digo: "Graças a Deus, em
Cristo eu estou "crucificado!" Em Romanos 3 vemos o Senhor Jesus
levando os nossos pecados e morrendo como nosso Substituto,
para que pudéssemos ser perdoados. Em Romanos 6, vemo-nos
incluídos na morte de Cristo, por meio da qual Ele conseguiu a
nossa libertação. Quando nos foi revelado o primeiro fato, cremos
nEle para a justificação. Deus nos manda considerar o segundo
fato para a nossa libertação. De modo que, para fins práticos,
"Considerar-se" na segunda seção de Romanos toma o lugar de "fé"
na primeira seção. Não há diferença de ênfase; a vida cristã normal
é vivida progressivamente, do mesmo modo que inicialmente se
entra nela, pela fé no fato divino: em c e Cristo e na Sua Cruz.